sábado, 19 de setembro de 2009

Ah... O cérebro

Estava pensando hoje sobre como somos seres efêmeros... por exemplo, se ocorrer qualquer tipo de problema com nossas cabeças o que sobrará de nós?

Pensando nesse intrincado tema eu escrevi isso:

Eles estava desnorteado, não sabia bem o por qual motivo aquilo acabara de ocorrer. Pelos destroços e restos de ferro retorcido era óbvio que acabara de se envolver num acidente de carro, e sentia cheiro de fumaça, e de gasolina, não se lembrava de muita coisa coisa mas definitivamente lembrava que a combinação de fogo e gasolina não era boa, e correu, correu tudo que suas pernas cansadas e feridas aguentaram, e se escondeu, como se sua vida dependesse disso (e de fato dependia). Ouviu a explosão. E sentiu o vento da onda de choque passar furioso, desarrumando seus cabelos.

Agora que tinha escapado por segundos da senhora da foice parou e se perguntou, quem sou eu? por que estou aqui?

Aquelas perguntas o deixavam inquieto, não sabia mais quem era, seus sonhos ou aspirações, seus objetivos e planos para o futuro, seu passado! e se houvessem pessoas de quem gostava naquele veículo? Nem conseguiria chorar a sua morte! E andaria pelo mundo como uma casca vazia, sem passado, sem futuro, sem sonhos...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ah... A rotina!

Ela estava lá. Jogada num canto de um trilho mal iluminado. Estava lá.Reclamava constantemente da vida, de como as situações e as pessoas sempre eram injustas com ela, de como sua existência não passava de um grão de areia nessa gigantesca torrente de vontades, de emoções, de pessoas que é chamada vida, achava sempre que simplesmente existia, assim, por existir, como se não fizesse diferença o que sentia, o que passava, o que fazia, que simplesmente estava lá, assim por estar. Todo dia fazia o mesmo trajeto para o trabalho, fazia a mesma coisa, falava sobre as mesmas pessoas, e sempre lá, reclamando da enfadonha rotina, não que a rotina a sufocasse ou incomodasse o suficiente para que fizesse algo a respeito. Pretendia arrumar um marido como quem compra um carro, com certos acessórios de série, que não consumisse muito combustível e que requeresse pouca ou nenhuma manutenção. Tinha pouco ou nenhum sonho para o futuro. Fazia sua faculdade sem esperança, simplesmente porque foi uma imposição de terceiros, não via objetivo naquilo, afinal, não pretendia trabalhar de qualquer forma, pretendia casar com seu marido automotor de modelo escolhido a dedo, e depois, virar uma dona de casa exemplar, com marido e filhos, aprenderia a fazer tricô, para confeccionar toucas, cachecóis e afins para seus filhos exemplares, e fofocaria sobre as vidas alheias, e assistiria à televisão, teria preconceitos e iria à igreja como todas as pessoas fazem. Tinha tudo muito bem planejado. Mas algo nos seus cálculos não batia, quando descobriu que tinha uma doença muito grave, daquelas que só uma ínfima parte dos doentes escapa viva, e agora, estava lá, jogada nos trilhos, atrasando a vida de tantas pessoas como ela.